Musicalmente

Quer me fazer sofrer?
Tire de mim a Música
A genialidade de Chopin
Ou a Sutileza de João
A Música não vive
É eterna
É a voz de Deus
É o sussurro da alma
É a gritante verdade
Imutável e simples
A leveza de uma mulher
A pureza de uma borboleta
Que toca sem contato
Que acalma sem carinho
Que acaricia o coração
Como um beija-flor
Sem flor não é nada
Assim sou eu sem ela
Por isso caio em teu abraço
E assim passarei
A ouvir...
E amar...




(Pedro Vitor)
Ouvir:
Moon River - de Andy Williams por Luiz Bonfá

Sentidos: amizade

Perguntas surgem na velocidade da calada da noite. No compasso com a eternidade que há entre os avessos das palavras, procura-se uma resposta para fatos e idéias. Ela bem que podia deixar de ser sua musa inspiradora -pelo menos na idéia dos outros- já que se sentia desconcertada. Desconcerto esse que não sabe o nome, só se viam os reflexos. Reflexos de uma noite mal dormida, de idéias de pessoas que não querem enxergar além, aplicando filosofia própria, quem sabe. O fato é que ele ainda gostava dela, mas não sabia como. Modificara o sentido do amor. Não um amor carnal, um simples amor sexual entre duas pessoas. Todavia descobriram, no compasso da intimidade, que amar é muito mais que isso. Foi dando-se por inteiro nas menores coisas, entregando um sorriso a quem está abusado, ouvindo- mesmo que apenas os ruídos- de quem grita e respeitando as idéias de quem era contra todos. E, em meio a tudo isso, queria dizer a palavra que estava entalada na garganta para ela. Até disse, mas a tarde foi embora muito antes do que ela pudesse ter compreendido. Eles se amavam, de verdade, mas de outro jeito agora. Jeito estranho. Estranho jeito. Mas traziam consigo a felicidade de poderem ser amigos e haver a cumplicidade jamais entendida. E não tinham vergonha de assumir. E sem saber o que acontecerá, continuam andando em busca do que não se sabe, que será revelado mediante surpresa nos próximos capítulos da coisa mais bela,chamada vida.


(Gerlondson Jr.)


Texto escrito ao som de "Help", escrita e tocada pelos inigualáveis garotos de Liverpool, The Beatles

Rio

Deixo de lado a formalidade
Os categóricos: inicio, meio e fim
Onde a idéia flui como um rio que deságua no mar
Já não me serve
Quaro desaguar noutro rio
Noutra idéia
Não nesta confusão sem ordem
Quero margens largas para devorar tudo
E levar comigo, em minha corrente, os galhos da poesia
Quero um curso longo e sinuoso
Para que possa percorrer do sul ao norte
Conhecer a tudo e a todos
Mas devo ter cuidado
Pois o curso sinuoso do rio pode esconder
Muitos segredos
Muitas palavras


(Pedro Vítor)

"Super fantasticamente"

Tinha tudo para não dar certo. Todos os ingredientes estavam a postos para que a noite fosse um fracasso. Mas existia o diferencial presente entre eles: sabiam transformar. O filme foi trocado. A criação da Bossa Nova cedeu espaço para o Exterminador do futuro. Então resolveram transformar o tempo vago em momentos de eternas cumplicidades, já que os acontecimentos anteriores reservaram grandes surpresas.Sorrisos, espantos, O jogo que não acabava mais acabou não acabando. E mais outras milhares de coisas que são indecifráveis, só sendo conhecedores os que compartilharam suas emoções. E quando o final parecia não ser feliz, eis que chega o pseudo-inesperado. Ao fechar da porta, o barulho. Espanto. Incerteza. Ao abrir, a felicidade, o sorriso estampado nos rostos e a confirmadíssima certeza de que tudo valeu a pena. E daí a certeza de que o que importa não é a quantidade de amigos que se tenha, e sim a qualidade da subjetividade existente. Porque quem consegue ser por inteiro, não precisa ter.

(Gerlondson Jr)

Texto escrito ao som de "O Caderno", de Toquinho e Mutinho, cantada por Pe. Fábio de Melo

"Revoluir"

Ela chegou e já foi arrancando o coração, deixando-so abaixo do plástico, mesmo fingindo saber o que falava. Não esperou ele respirar e já foi logo avassalando seus sentimentos.Talvez ela não quisesse seu mal, mas seus gestos a tornavam vítima dos próprios atos. Ela o amava de um jeito estranho, que era notória sua dupla personalidade. Parecia, no popular, uma 'louca desvairada'. Louca, porém, era sua sobrevivência epífita. Num gesto nobre, ele reconheceu o seu pseudo-erro e, por impulso das circuntâncias, saiu correndo com os olhos ardidos em gotas de lágrimas. De tanto correr, cansou e descobriu uma palavra que podia o ajudar a reconquistar o tempo que outrora perdeu sendo o que não era. Embora o seu mais intrínseco sentimento implorasse para que fizesse aquilo, o receio do que passou e do que estava por vir vinha a tona. O tempo passou. Tudo e todos que não serviam, foram transformados pelo tempo. E agora, com a cumplicidade e a sinceridade emportando e imperando entre o seu desejo e a liberdade de escolher a vontade do coração, a outra, que era seu amor de verdade, consegui amar por sua vontade e conseguiu ver a lacuna que havia sido tapada com a outra mão de fada.E eles foram felizes. Sim, apesar da revolução. Este lado já estava funcionando. Só faltava viver.


(Gerlondson Jr)


Este texto foi escrito tendo como plano de fundo a música
"Sampa", cantada por Caetano Veloso

Coragem!

Algo inundou minha mente. Faz poucas horas que a estranha passou a ser a dominadora de meus pensamentos. Foi como uma moeda que a gente encontra no chão, pode ter pouco valor, mas mesmo assim a pegamos, guardamos no bolso ou simplesmente a jogamos de volta. Eu guardei no bolso, as vezes a tiro e fico a pensar como ela pode aparecer desta forma tão inesperada. Usei o pouco de minha coragem, tentando não perde-la, mas minha hora chegou, tive que ir – se meus olhos tirassem fotos... - tive que ir e quando voltei só tinha o espaço vazio e quieto, tal qual a moeda, levei-a para casa e com ela talvez nada faça, basta coragem!

(Pedro Vítor)

Sussurro

Quero dizer bem baixinho em teu ouvido
O que faz do meu coração um bobo
Na intimidade de um sussurro
Falar das coisas do amor
Quero, bem baixinho, te contar
As paisagens que a vida nos guarda
Quero um abraço bem fogoso
E um carinho na nuca
Porque só assim, bem baixinho
Só eu e você iremos saber
No nosso pequeno universo
Bem simples
Mas único




(Pedro Vítor)
Ler, se possível, ouvindo:
Sutilezas - Rosa Passos, de Rosa Passos e Sérgio Natureza

Lusco-fusco

E ele, olhando para a letra que achava ser a mais reluzente que jamais havia visto, pensava...e nesses momentos gostava de ficar alí parado, como se estivesse anesteziado, sob a consequência daquilo que ele não sabia o que esperar.

O que as coisas que vêm, saem e desaparecem sem volta podem nos engrandecer?
O que as pessoas insanas podem causar se há algo muito maior que é capaz de transbordar o raio unilateral das estrelas?
Qual a falta de faltar que elas deixam?
O que a falta pode eliminar aonde se há a confiança?
Na ausência, a presença, a descoberta.
No nada, o valor e o aprendizado.
No recomeço, uma nova forma de enxergar.
Porque no desconhecido é que a gente se revela e descobre os nossos limites, o nosso jeito humano de ser.
A água é a irmã vais velha do mar.
(Capitão JG)

Sentidos: Equilíbrio

Colecionar.Sinônimo de juntar, reunir. Mas não qualquer coisa. As vezes perde-se uma vida toda procurando com o que ocupar o tempo, sendo que essa virtude pode não estar inicialmente em nós. Surge de um esbarão, de uma tropeçada.Aparece de repente junto com a voz que surge daquele que não sabe falar, das pessoas que nos fazem feliz, através do amigo que, na ausência completante de compartilhar seu vício bom realiza transformações apenas com o olhar gestante. Olhar esse inundado de respeito e paciência, não como uma rivalidade ou batalha de ter a coisa mais chamativa ou produtiva, mas com a harmonia necessária para o crescimento da amizade e da colação. Porque as vezes a perda acontece pela não descoberta da beleza escondida do momento, porque vieram críticas externas. Isso sim é perda de tempo. É questão de bom senso.

(Gerlondson Jr.)

Depois

Deixar para depois é negar a sorte
É perder momentos únicos
É passar sem dizer um oi
É saber que pode e esquecer
É amar e não dizer “te amo”
É brigar querendo um abraço
Enfim... Deixar para depois é perder tempo
Sabendo que ele não voltará

(Pedro Vítor)